Santuário do Sameiro


 

 

Painel na Cripta do Sameiro
   Tendo tomado conhecimento, na Página do Leitor do JN de quarta-feira, da opinião do senhor António Fernandes Ferreira sobre o painel colocado na cripta do Santuário, da autoria do pintor Oscar Casares, e sem querer levantar qualquer polémica acerca do assunto, pois limito-me à minha simples opinião, fiquei não horrorizada mas divertida, porque V.ª Ex.ª parece estar a viver nos tempos cavernícolas e não no século XXI.
   Acho o painel maravilhoso, bem concebido e imaginado, pintado com uma técnica perfeita e colocado no local exacto, para que todos saibamos quem fez do Sameiro aquilo que hoje é: um santuário moderno, com uma história digna de ser contada e com o acréscimo de vermos quem, com o seu esforço, vontade e trabalho, a fez.
   Não somos muçulmanos para não podermos ter as figuras que, ao longo dos anos, deram a sua contribuição para que a nossa basílica seja uma das mais importantes a nível mariano.
   Quando Nuno Gonçalves pintou, no século XV, os painéis de São Vicente de Fora, com o Infante D. Henrique, D. Fernando, pessoas gradas da Igreja, marinheiros e o povo rodeando o santo, houve igualmente quem levantasse a voz contra tal “profanação”.
    Tudo o que é diferente leva certas pessoas a bradar aos céus.
    Se ali se aludia ao poder real, às ordens militares e do clero, aqui retrata-se quem proclamou o Dogma da Imaculada Conceição (Beato Pio IX), aquele que em nome das mulheres portuguesas coroou Nossa Senhora do Sameiro (São Pio X), e o mais humano dos papas, sua santidade João Paulo II, que pessoalmente confiou a Rosa de Ouro ao representante da Confraria do Sameiro, monsenhor Melo Peixoto.
   Como V.ª Ex.ª está lendo, não são quaisquer as que vê naquela obra, nem estão ali por vaidade pessoal, como insinua no seu escrito; são aquelas que ao longo do tempo homenagearam a nossa padroeira e fazem parte da história do templo.
   Quanto ao senhor arcebispo, não poderia deixar de figurar, porque ele é, além do poder máximo eclesiástico bracarense, o nosso representante junto da Virgem.
   Quanto às afirmações que remete para o pintor sobre honorários, referiam-se ao retrato de sua santidade João Paulo II e não ao painel. Além disso, não houve Alguém que disse “ não cabe à mão esquerda saber o que dá à direita”?
   Vivesse no tempo de El Greco, e tivesse feito estas “encomiásticas” referências a qualquer quadro dele, que o pintor o teria retratado, na obra seguinte, muito quentinho no inferno, como fazia aos cardeais da época, que tinham ideias semelhantes às que retrogradamente professa.
Verónica Vermelho                                                                                                                                   Critica de Arte, Galerista, Pedagoga.
 

 
SOBRE O QUADRO DE ÓSCAR CASARES QUE SE ENCONTRA NO ALTAR-MÓR DA CRIPTA DO SANTOÁRIO DO SAMEIRO, EM BRAGA 
   Desde o princípio acompanho a polémica sobre o quadro do Sameiro que, pelos vistos só interessa do centro para a esquerda. Já foi explicado porque se encontram ali representadas personagens da Igreja, mortos uns, vivos outros. 
   No último artigo que me foi dado a ler por um amigo que veio de Portugal, eu encontro-me na Galiza neste momento, vi como um docente universitário, católico, inicia a sua dissertação da esquerda para o centro, lugar principal onde se encontra Nossa Senhora do Sameiro, o que não me parece correcto para uma pessoa com as suas ideias religiosas. Ou será que começou pela figura viva que lhe causa tanta irritação e o traz tão furioso? Como é evidente falo do senhor cónego Melo Peixoto, que pelos vistos já lhe provocou os mesmos sentimentos pouco católicos de raiva, quando os bracarenses pretenderam fazer uma estátua ao mesmo prelado. Segue-se a explicação da sua atitude de cidadania e Fé na Palavra Viva do Evangelho, onde ameaça o senhor arcebispo da Arquidiocese de vir a ficar na história como Profanador do Templo, se não mandar retirar o quadro do lugar em que se encontra.
Tanto disparate junto…
   Também, a dada altura, interroga quem encomendou o quadro, o quadro entre aspas não sei porquê, e eu respondo-lhe. A encomenda vem da confraria do Sameiro, de que é presidente o senhor cónego Melo. Não é coisa que esteja escondida, não é verdade? Quanto a quem se deixou reproduzir nele, penso que quereria dizer retratar, também lhe posso explicar alguma coisa. Quando da encomenda ao artista Óscar Casares, foi-lhe dada a liberdade de criação, ou procriação, pois só Deus cria, tendo o pintor apresentado a sua ideia, como é de uso e direito, à entidade que fez a encomenda. Assim feito, e analisada a proposta por quem de direito, executou-se a obra. Ora se era intenção representar a Virgem Maria e a entrega da Rosa de Ouro ao santuário pelo Papa João Paulo II, como não retratar o senhor arcebispo da altura, felizmente vivo, e quem a recebeu, o senhor cónego Melo? Se o senhor, penso que doutor, Alberto Filipe Araújo se debruçar sobre várias épocas da pintura religiosa, encontrará muitos quadros, em países muito civilizados e nada provincianos, onde se encontram representados doadores, papas, cardeais e todos os membros da Igreja, príncipes e reis e o próprio povo, todos vivos e de boa saúde. São quadros cujo valor pode e deve ser discutido, como compete a qualquer obra de arte, pois aquela que não for discutível, não interessa, passa despercebida. Isto não acontece com o quadro de Óscar Casares, devido a tantos artigos saídos à sua volta, o que é muito bom para o pintor, como é natural, já que se tem gerado um grande interesse em ver a obra, crescendo o número de visitantes ao santuário.
   Entre as apreciações do senhor doutor Alberto, escolho a classificação de “kitsh”. Como deve saber existe essa corrente artística no mundo das artes, corrente essa com muitos seguidores, em todos os campos artísticos, havendo mesmo museus que se dedicam a este género, e muitos dos quadros de grandes autores de outros tempos podem ter a mesma classificação, como por exemplo certos Murillos. Aproveitou-se este termo para atacar o pintor de quem, muito pouco cristãmente, se diz ser um autor que nada interessa.
   Interesse-se pelo Óscar Casares, veja o seu percurso, aprecie-o ou não, mas não ataque dessa forma. Já que falou nos Evangelhos, leia-os como eu que não sou católico e nesses maravilhosos textos encontro muitos caminhos a seguir, que não incitam a rancores político-religiosos.
   Terminarei apresentando-me como pintor, sem doutoramentos tão abundantes neste país de titulares universitários, títulos que dão credibilidade a quem os tenha, mesmo que não saiba nada dos assuntos a que se dedicam.
Manuel Magalhães
Artista Plástico, Arquitecto, Figurinista, Decorador de Interiores.
 

 
VELHOS DO SAMEIRO
   Tem saído nas últimas semanas algumas notícias relativamente a uma "polémica" relacionada com uma tela colocada recentemente na Cripta do Santuário do Sameiro, em Braga. Recentemente não sei se será o termo correcto visto toda a referida polémica ter sido desencadeada três meses após a inauguração do quadro, no dia 8 de Dezembro.

   Aproveitando o bom tempo que se tem feito sentir pelo nosso país, decidi ir até este santuário Mariano para verificar com os meus próprios olhos qual o motivo de tanta discussão. Não sei se foi pura coincidência mas pareceu-me ver mais pessoas passeando pelo santuário do que é habitual. Para um domingo soalheiro e de temperatura bastante agradável, seria de esperar uma romaria para as praias e esplanadas do litoral.

   Quanto ao painel propriamente dito, e não sendo crítico de arte nem entendido em teologia, pareceu-me de uma excelente execução e de uma grande perfeição, sendo que as pessoas nele representadas estão com um pormenor tão rigoroso que são facilmente identificáveis. De salientar que pelas descrições transcritas nas notícias, pensei que o quadro seria uma soma de personagens com alguma ligação à história do Sameiro mas afinal é muito mais do que isso. Note-se que a figura central é Nossa Senhora. Esta encontra-se colocada de uma forma que todos os outros, e como assim deveria ser, são figuras secundárias.

   Afinal toda a polémica está em torno de uma figura que está colocada exactamente na posição mais afastada do centro de atenção.

   Aqueles que se têm manifestado contra este quadro apoiam-se na alegada impossibilidade de constarem figuras vivas num altar cristão. Mas na realidade estes levantam a sua voz é contra a presença do Cónego Melo pois nada têm contra a presença de D. Jorge Urtiga. Certamente se o Cónego Melo não formasse parte do quadro, nada se ouviria falar contra.

   A adjectivação de "heresia" ao quadro e/ou à sua localização fez surgir na minha mente uma imagem que todos recordamos como sendo da Idade Média de uma multidão em fúria empunhando archotes que irrompem pela cripta e pegam fogo ao "blasfemo" quadro ao som de gritos. Certamente que com alguma antecedência os canais televisivos e a Imprensa seria avisada para que tudo pudesse ser reproduzido no noticiário da noite na expectativa de que lhes fosse feita uma entrevista para terem os seus 30 segundos de fama.

   Não podemos negar o passado e sem dúvida que o Cónego Melo é uma figura polémica de Braga e até mesmo a nível nacional. Como acontece com todas as pessoas, há quem goste dele e há quem não goste. Mas não estamos a falar de um quadro que foi feito para agradar aqueles que se deslocarem ao Sameiro mas sim da exposição dos três momentos mais marcantes da história deste santuário. Volto a referir que a figura principal é Maria e que todos os outros são secundários. Se só os "imaculados" pudessem constar em quadros então talvez nenhuma das pessoas representadas lá estivesse. 

   Sou levado assim a questionar "Será que não estamos perante um problema de males de inveja?". Sim. Parece que há alguns que nada mais sabem fazer do que criticar a iniciativa dos outros. Talvez também gostariam de constar de um quadro que eterniza-se a sua pessoa. Certamente muito dirão que então muitas outras pessoas deveriam constar de igual modo no quadro mas volto a referir que o tributo é a Maria e não a nenhuma pessoa. Aliás toda a história é feita de pessoas desconhecidas. Certamente Vasco da Gama não foi até à Índia sozinho.

   Parece-me que, quer se goste ou não, todas as pessoas que constam do quadro tem a sua parte na construção do grande santuário que é hoje o Sameiro. No dia da inauguração Cónego Melo explicou toda a simbologia deste painel e anunciou que o engrandecimento do Sameiro não ficaria por aqui. Foi nessa cerimónia anunciado a encomenda de mais dois painéis que irão completar o actual. Esperemos para ver se o autor não irá fazer a vontade de dar algum protagonismo aos que agora se insurgem contra e passem a constar nos novos painéis como "os velhos do Sameiro" do mesmo modo que no passado muitos ficaram recordados como "os velhos do Restelo".
Rui Ferreira                                                                                                                                        Licenciado em Física
 

 

CARTA ENCÍCLICA
PACEM IN TERRIS
DO SUMO PONTÍFICE
PAPA JOÃO XXIII
A PAZ DE TODOS OS POVOS
NA BASE DA VERDADE,
JUSTIÇA, CARIDADE E LIBERDADE

 



CARTA DO PAPA
JOÃO PAULO II
AOS ARTISTAS

1999
A todos aqueles que apaixonadamente
procuram novas « epifanias » da beleza
para oferecê-las ao mundo
como criação artística.

 


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